terça-feira, 23 de março de 2010

A Importância do Sonhar

A entrada dos sonhos para o campo da ciência foi um acontecimento decisivo; uma abertura de novos caminhos, sendo pioneiro o Dr. Freud com o seu livro: “A Interpretação dos Sonhos”, em 1900. Daí em diante, ficou demonstrado que a vida psíquica do homem não se passa apenas no plano consciente. Existe um outro nível, o inconsciente, no qual os sonhos são manifestações dessa linguagem.

Na perspectiva Junguiana, ampliamos essa linguagem do inconsciente pessoal ao inconsciente coletivo como representação da história universal da humanidade.

Estudar os sonhos é tarefa importante para aquele que quer se conhecer e fazer desse conhecimento a base para o desenvolvimento de sua personalidade, que é chamado processo de individuação.

A arte da interpretação dos sonhos é chamada Hermenêutica, derivada do Deus grego Hermes, mensageiro da vontade dos deuses.

Na Antiguidade, nos templos da Grécia, os sonhos eram utilizados para curar doenças e o grande médico que curava almas era Asclépio, Esculápio para os latinos, um herói-deus, mito antigo que viveu no século XIII A.C.

No mundo contemporâneo, sec. XXI utilizamos os sonhos em consultórios de medicina e psicologia, na psicoterapia, com o mesmo objetivo de cura ou transformação de almas.

Na visão Junguiana, o Sonho é fenômeno natural que provêm da mesma fonte que uma árvore ou um animal selvagem. Eles possuem uma inteligência superior, uma sabedoria e uma perspicácia que nos orientam. Eles nos mostram em que aspectos estamos enganados e nos alertam a respeito de perigos, predizem eventos futuros, aludem ao sentido mais profundo da nossa vida e nos proporcionam insights reveladores.

Os sonhos são mensagens do Self, arquétipo que simboliza o centro mais profundo de nossa consciência, unificador da psique total, consciente e inconsciente. Simbolicamente, ele é expresso em toda a história da humanidade como divindade interior, ou a imagem de Deus.

A maturidade e desenvolvimento de um ser humano exigem um confronto entre o ego, centro da personalidade consciente e o self. Essa dinâmica é vivenciada na análise de sonhos.

A função geral dos sonhos é tentar restabelecer a balança psicológica produzindo um material que complementa a nossa vida consciente.

Um sonho não poderá ser corretamente interpretado sem que seja conhecida a situação consciente do sonhador, daí a importância de se trabalhar a história pessoal num contexto terapêutico.

A interpretação de um sonho exige todos os aspectos do ser humano; da observação das suas sensações físicas, emoções e sentimentos ao uso da razão lógica e da intuição, para compreendê-lo.

O método utilizado para as narrativas dos sonhos compreende a exposição, que é a observação do cenário com seus personagens, a peripécia ou desenrolar da história e a lysis como solução final.

É uma pesquisa que envolve a imaginação criadora, pois os sonhos serviram de inspiração para escritores através de seus devaneios poéticos; nas artes plásticas, no cinema, teatro e artes em geral.

Gaston Bachelard, escritor e filósofo francês, defende o direito de sonhar de todos os seres humanos como capacidade imaginativa de restabelecer a saúde psíquica. Ele pesquisou em sua obra a relação dos quatro elementos da natureza: Terra. Água, Ar e Fogo, com as propriedades dos materiais, traduzindo de forma poética a relação com o ser humano.

Dr. Jung criou os conceitos da Psicologia Analítica ou Profunda, a partir da experiência com seus sonhos e de seus clientes, elaborando toda sua vida e obra.

Uma das coisas que considero mais importantes na vida onírica é escrever e compartilhar os sonhos, pois a partir dessa interação, nos abrimos para esse campo imaginário, oculto, inexplorado de nossas profundezas; é sempre um mistério a ser desvendado e merece respeito e humildade, observar o que está além do consciente como conteúdo natural de nosso psiquismo.

Podemos ser criativos e dar títulos às nossas histórias que vivenciamos ao dormir. Utilizar também a expressão artística de nossas imagens simbólicas através do desenho, pintura, modelagem, canto, música, dança ou expressão corporal e a dramatização como representação deste conteúdo.

Muitas descobertas científicas e criativas surgiram a partir de sonhos e estão descritas na história da humanidade.

Dr. Jung criou o mapa da estrutura e dinâmica arquetípica da Psicologia Analítica através de vários sonhos, que estão descritos em sua obra.

Recomendamos leituras:

C. G. Jung – Memórias, Sonhos, Reflexões.
C. G. Jung e Analistas – O Homem e Seus Símbolos.
Marie-Louise Von Franz em conversa com Fraser Boa - O caminho dos Sonhos.
Robert Johnson - A chave do reino interior.
Gaston Bachelard - O direito de Sonhar.

No cinema, recomendamos o filme de Akira Kurosawa - Sonhos.
De Wim Wenders - Asas do Desejo.

Nas Artes Plásticas, as pinturas de Salvador Dali, Marc Chagall, Monet, Van Gogh.

Verusa Silveira
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana

sexta-feira, 19 de março de 2010

Bate-Papo: A Importância dos Sonhos na Prática da Psicoterapia

Esse Bate-Papo é introdutório ao Grupo Terapêutico que estamos formando. Pedimos que confirme a sua presença, pois temos vagas limitadas.

Dia: 30 de março (terça-feira)  -  Hora: 19:30h  - 
Local: Rua Ewerton Visco, 324, Ed. Holding Empresarial, sala 1107. (atrás do Shopping Sumaré)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Grupo Terapêutico de Análise e Interpretação de Sonhos

Caros Amigos e Colegas,

Estamos reiniciando nosso trabalho de pesquisa clínica com análise de sonhos e pedimos que repassem a divulgação. Confiram as informações a seguir.
Muito grata pela colaboração.
Abraços,
Verusa

Proposta: Compartilhar as narrativas e vivências dos sonhos, associadas às suas histórias pessoais, com objetivo de ressignificar sua trajetória de vida.

Metodologia: Técnicas de relaxamento, dinâmicas de grupo, uso da imaginação e expressão criativa.

Coordenação: Dra. Verusa  Silveira
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana. Pesquisadora clínica de análise de sonhos. Criadora do Núcleo de Estudos Junguianos – Centro Educacional e Terapêutico, fundado em 1988. Membro do Colégio Internacional dos Terapeutas (CIT/ UNIPAZ). CRM: 3006.

O grupo acontecerá todas as quintas-feiras, das 19 às 21h.

Início: 15 de abril de 2010.

Local: Rua Ewerton Visco,324, Edf. Holding Empresarial, sl. 1107, Caminho das Árvores. (atrás do shopping Sumaré).
Inscrições e Informações: (71) 3271- 3640 e 9201-0250.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Viagem ao Fim do Mundo...

Retornamos de uma grande viagem na Patagônia - Terra do Fogo, com uma companheira taoísta, Flávia, onde chegamos ao Fim do Mundo, Ushuaia.

Para o Taoísmo, o final representa o princípio da vida, a renovação.

Estamos iniciando um novo ano e quero desejar luz e amor a todos os seres, extensivo ao Planeta Terra.

Que possamos estar unidos na solidariedade em momentos alegres e difíceis, compartilhando viagens, novos amigos, experiências belas como esta que vivenciamos nas montanhas glaciais com o sol a pino e a neve em tempo de verão.

Viajamos por uma estrada rústica cheia de animais típicos da região como o guanaco, semelhante às lhamas, carneiros e ovelhas, cavalos, raposas, emas, condor, coelhos, águias, entre outros. Era o início de uma trilha selvagem de duas horas nas montanhas de Torres Del Paine com um vento avassalador que nos carregava, cercado de lagos azuis e cachoeiras esplendorosas com quedas d´águas de grandes alturas, permeadas da vegetação das Lengas, árvores típicas de onde se extrai a madeira para as construções locais.

Foi um grande desafio superar o cansaço e chegar ao final do caminho renovadas!

Quero também compartilhar o passeio no catamaran para a Ilha dos Pássaros, dos Lobos Marinhos e Pingüinera - o habitat dos pingüins. Vivemos um sonho de estarmos integradas com esses animais do gelo.

A viagem terminou com um sonho realizado que se estende para o ano de 2010 ...

Feliz Ano Novo!!!


Verusa


Flávia


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Jung e as Festas Populares da Bahia

“Um babalaô me contou
Antigamente os orixás eram homens.
Homens que se tornaram orixás por causa de seus poderes
Homens que se tornaram orixás por causa de sua sabedoria
Eles eram respeitados por causa da sua força.
Eles eram venerados por causa de suas virtudes.
Nós adoramos sua memória e os atos feitos que realizaram.
Foi assim que estes homens tornaram-se orixás.
Os homens eram numerosos sobre a Terra.
Antigamente, como hoje,
Muitos deles não eram valentes nem sábios.
A memória destes não se perpetuou.
Eles foram completamente esquecidos;
Não se tornaram orixás.
Em cada vila, um culto se estabeleceu.
Sobre a mudança de um ancestral de prestígio
E lendas foram transmitidas de geração em geração,
Para oferecer-lhe homenagens.”

A Psicologia Junguiana é fundamentada nos arquétipos, imagens psíquicas primordiais, originais, conteúdos do inconsciente coletivo, comum a toda humanidade. A descoberta dos arquétipos restitui o ser humano à sua interioridade e aos seus mistérios através da sua relação com os deuses.

Os orixás são representados pelos quatro elementos da natureza: Terra, Água, Ar e Fogo. Cada um desses elementos corresponde às quatro funções de orientação da consciência do ser humano: Físico, Emocional , Mental e Espiritual.

Com esse espírito de pesquisa arquetípica e ‘antenado’ nas tradições da Bahia, o Núcleo de Estudos Junguianos abre esse espaço para o ciclo de festas populares, que se inicia em 4 de dezembro, com a deusa dos ventos, raios e tempestades, Oiá-Yansã, no Candomblé; e Santa Bárbara na Igreja Católica.

Toda a fé do baiano se manifesta desde as comemorações dos orixás do candomblé, quando todos os terreiros da cidade batem seus tambores para seus filhos-de-santo dançarem, até as festas da religião católica, que ganham um cunho de celebração com muito samba-de-roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas de azeite de dendê, caruru, vatapá, entre outras.

Esse clima de festas tem seu ápice na Lavagem do Bonfim, terminando no Carnaval.


“Epa Hey Oiá”, Yansã

Oiá foi mulher de Ogum e trocou-o por Xangô, mas sem romper totalmente os laços com Ogum. É representada como uma rainha guerreira, com uma espada em punho. Muito corajosa, é o único orixá capaz de enfrentar os eguns, espíritos dos mortos.

A nível Junguiano, ela representa o lado ativo do feminino, o “animus”, o princípio masculino no interior da psique feminina. Este arquétipo tem características de impulso criativo, empreendedor, objetividade, determinação, um grande senso de dever e forte convicção.

Características: temperamento forte, passional e autoritário. Uma de suas características mais marcantes é a sensualidade, voluptuosidade.
Cores: vermelho e branco.
Oferendas: acarajé e abará.
Saudação: “Epa Hey Oiá”.
Simbolismo: Espada, Chicote.
Dia da semana: quarta-feira, também dia de xangô, o deus dos trovões.

Calendário Oficial das Festas Populares:

04 de dezembro - Santa Bárbara / Iansã
08 de dezembro – N. Sra. da Conceição – Padroeira da cidade de Salvador
13 de dezembro – Santa Luzia
01 de janeiro – Procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes
06 de janeiro – Festa da Lapinha ou Festa dos Reis
Segunda quinta-feira de janeiro – Lavagem do Bonfim
24 de janeiro a 2 de fevereiro – Nossa Senhora da Purificação
30 de janeiro – São Lázaro
02 de fevereiro – Iemanjá
11 a 16 de fevereiro - Carnaval 2010

* O Núcleo de Estudos Junguianos - Bahia realizou Seminários com os arquétipos dos Orixás afro-brasileiros criando correspondências com a Teoria da Psicologia Junguiana.

Coordenação:
Dra. Verusa Silveira 
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana/ Coordenadora do Núcleo

Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera

Diretor sul-coreano: Ki-duk-Kim
O filme trata do processo iniciático de um garoto conduzido por um velho mestre zen budista. Na Psicologia Junguiana, chamaríamos de Processo de Individuação, isto é, de autodesenvolvimento da personalidade, que inicia no nascimento e se desenvolve em ciclos e fases, até a morte.
Utilizando o paralelo entre as etapas da vida do ser humano e as estações do ano, o filme estabelece uma relação simbólica entre as duas.
                                                                                     
Escolhemos esse poema do mestre Taoísta chinês Liu Pai Lin para sintetizar essa história.

A Terra segue o Céu
acompanha seu fluxo de Energia.
Por isso,
na Primavera, pode brotar,
no Verão, florescer,
no Outono, frutificar,
no Inverno, a Natureza se recolhe,
podendo iniciar
uma nova Primavera
e assim se renovar.