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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A festa da Rainha do Mar, 2 de fevereiro!

O Núcleo de Estudos Junguianos da Bahia homenageia "2 de fevereiro", data  mágica na Bahia de Todos os Santos, celebração da Rainha do Mar, reunindo pessoas de todas as classes, idades e crenças para reverenciar a Grande Mãe.

Nesse dia, todos se mobilizam para ofertar-lhe presentes, agradecer suas bençãos e renovar pedidos de cura e realização de sonhos.

É um arquétipo que representa a divindade feminina, simbolizada pelo mar e pela lua. Protetora dos pescadores e dos navegantes.

A Deusa Yemanjá é a Deusa do Amor, da Paixão e da Fertilidade. É conhecida por vários nomes em culturas diferentes e uma de suas representações é a Sereia. No Egito, é chamada Isis. Em Roma, é conhecida por Vênus. Na Grécia, é Afrodite. No Brasil, Yemanjá ou Oxum, Mãe das águas salgadas e doces. Na Igreja Católica é Nossa Senhora da Conceição da Praia.

A Deusa do amor é associada com a primavera, com a natureza desabrochando, com o tempo em que as sementes em repouso explodem em esplendor. Ela representa a consciência do relacionamento com sentimento. É uma Deusa alquímica, simbolizando o poder transformativo e criativo do amor, inspirando os seres humanos a criarem.

A falta desse arquétipo, do feminino divino na vida dos seres humanos e das estruturas sociais, cria mecanização dos comportamentos e atitudes, gerando dissociações, excesso de racionalização e distanciamento do coração. O mundo contemporâneo precisa do feminino para equilibrar as necessidades emocionais de afeto, carinho e respeito pela Natureza, que se reflete em todos os aspectos da vida: sociais, políticos, religiosos, etc.

Na Psicologia Junguiana, é um arquétipo representativo da Anima, o feminino inconsciente do homem e do Self, nosso centro mais profundo, presente no inconsciente coletivo, responsável pelas transformações, quando vivenciamos o diálogo com o Ego, nosso centro consciente, em busca de inspiração, cura, beleza, harmonia e unidade.

Na religião afro-brasileira, as cores de Yemanjá são azul e branco, seu dia é sábado e os presentes prediletos são flores, perfumes como alfazema, espelho, enfeites em geral, próprios da vaidade feminina. Os presentes são colocados no mar, em barcos de pescadores, entoando cânticos e rituais de saudação: 

" Odò Ìyá!!! "


Verusa Silveira
Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana
Coordenadora do Núcleo de Estudos Junguianos da Bahia

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cinema no Consultório, última sessão do ano!

MORANGOS SILVESTRES

- Uma obra-prima de Ingmar Bergman -
Interpretação à luz da Psicologia Analítica de Carl G. Jung.



Focalizadoras: Marcia Hita - Médica, Psicoterapeuta Junguiana
Verusa Silveira - Psiquiatra,  Psicoterapeuta Junguiana

Dia: 11 de novembro (quinta-feira) - Hora: 19h

Local: R. Ewerton Visco, 324, Ed. Holding Empresariaol, sl. 1107.
(atrás do Shopping Sumaré)
Investimento: R$ 15,00  
Tel: 71 3271-3640/ 9201-0250/ 9972-4889

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Deus Mercúrio.

Os símbolos são as manifestações exteriores dos arquétipos.

É através da análise e da interpretação de sonhos, símbolos, fantasias, visões, mitos e da arte é que se pode chegar a conhecer alguma coisa do inconsciente coletivo.

O mito é a ponte inevitável entre o inconsciente e o consciente.

O Deus Mercúrio representado nessa imagem abaixo é o intérprete da vontade dos deuses. Ele se apresenta com um chapéu de formato de asas e sandálias também com asas - representando o voo da imaginação.

Segura um bastão que representa a cura com duas serpentes entrelaçadas - o caduceu é um emblema universal da ciência médica.

É um Deus alquímico, pagão, sendo responsável pelas transformações do chumbo em ouro, nos processos de cura. No processo de individuação, o ser humano passa por essa transformação na busca do Self (centro interno), através do Ego.
 
Mércurio é hermafrodita, contendo o masculino e o feminino e os 4 elementos da natureza: terra, água, ar e fogo, que são as funções de orientação da consciência: ação, emoção, pensamento e intuição.

Segundo a lenda, Mercúrio, quando ainda era bebê, saiu pelo mundo e roubou os rebanhos de Admeto que Apolo estava guardando. Apagou os traços do roubo, subornou as testemunhas, sacrificou duas novilhas aos deuses, matou uma tartaruga da qual fez uma lira, escondeu o gado e voltou ao berço como se nada tivesse acontecido. Já começou, então, a mostrar sua rapidez, versatilidade, diversidade e astúcia.

 Apolo descobriu o roubo, e como tinha o dom da adivinhação, acusou Mercúrio. Os deuses não acreditaram, porque, afinal, Mercúrio era um bebê. Mas Apolo levou-o a Zeus que o obrigou a não mentir. Mercúrio não mente, também não diz a verdade completa. Para conquistar Apolo, Mercúrio tocou a lira feita da tartaruga, encantando-o. Então Apolo trocou os rebanhos pela lira.
 
Observamos o lado sombrio da realidade através desse mito que não esclarece por completo a sua ação. Vemos a importância do arquétipo da sombra em nossa busca humana de completude.

Mercúrio é o Deus da comunicação, do poder da palavra, dos negócios e protetor dos viajantes.

 


Verusa Silveira - Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Busca do Amor no Século XXI

Nosso Bate-papo é uma proposta de indagações sobre esse tema universal para o ser humano em sua trajetória de vida.

Iniciamos nossa reflexão pelo cartaz que divulgamos através de uma obra de arte de Lorenzo Mattotti, simbolizando o encontro entre o masculino e o feminino, cada um lendo seu livro.

Qual é a busca de cada um?
Quais são seus valores?
Como conciliar essas duas naturezas opostas e complementares?
Como se dá esse encontro a nível externo e a nível interno de alma?
Quem é esse Eros ou Cupido que nos flecha e que tanto desejamos ser flechados?
O que é a paixão?
Existe diferença entre amor e paixão?
O que o homem pensa e sente sobre a Revolução Feminina e sua repercussão nessa complementaridade?
Existe possibilidade de ressignificação do encontro Homem e Mulher em condições de igualdade, sendo de naturezas tão diferentes?
É possível amar verdadeiramente?

Para falar de amor, temos que recorrer aos poetas, amantes e místicos que se encontram nesse estado amoroso de inspiração, beleza e criatividade.

Entramos no reino da imaginação onde as Musas se tornam presentes e o Deus Eros com suas asas e flechas, brincalhão e assertivo escolhem seus eleitos para essa viagem no reino mítico de surpresas. Eros é um intermediário entre deuses e homens, dando asas ao mundo dos impulsos. É anjo e daimon. “É o desejo ardente.”

A Deusa Afrodite ou Vênus, sua mãe, nascida das ondas do mar, presenteia aqueles que abrem seu coração para o amor. É o arquétipo da beleza e da paixão.

Lembro do grande poeta, compositor e músico baiano, Caetano Veloso, pai do Tropicalismo, revolução de costumes, criada no Brasil nos anos 60, com um grupo denominado Os Doces Bárbaros, cantando e dançando, numa alegria indescritível e desejo de mudança.

“O seu amor, ame-o e deixe-o livre para amar!”.

Essa revolução marcou uma busca por novas idéias libertárias, indagando sobre os caminhos das relações amorosas e do processo de construção de um novo homem e de uma nova mulher e consequentemente uma nova família.

Esse movimento surgiu como um balão de oxigênio numa época repressora da ditadura militar nos anos 60. Caetano gritava “é proibido proibir” e naturalmente foi exilado como todos que tentaram quebrar os valores tradicionais. Não se evolui sem perdas necessárias ao desenvolvimento da consciência, que é individual e se reflete na sociedade.

Ainda no século XX, o casal de escritores e intelectuais franceses, Sartre e Simone de Beauvoir, criaram a filosofia humanista existencialista, baseada em idéias libertárias e no amor livre, respeitando o limite da individualidade.

Simone de Beauvoir escreveu uma pesquisa sobre a condição feminina em suas várias dimensões, psicológica, sexual, social e política, propondo um novo caminho para a mulher e para ambos os sexos.

Em seu livro: “Uma Experiência Vivida”, De Beauvoir cita: “o certo é que até aqui as possibilidades da mulher foram sufocadas e perdidas para a humanidade; já é tempo no seu interesse e de todos, de deixá-la enfim, correr todos os riscos, tentar a sorte”.

No final de sua pesquisa, ela afirma: “é dentro de um mundo dado que cabe ao ser humano fazer triunfar o reino da liberdade; para alcançar essa suprema vitória é, entre outras coisas, necessário que para além de suas diferenciações naturais, homens e mulheres afirmem sem equívoco sua fraternidade”.

Simone de Beauvoir foi pioneira ao movimento feminista e o casal trouxe um novo modelo de relacionamento. Nessa época, ainda não havia o movimento feminista numa forma radical e impulsiva de contestação ao masculino, onde a mulher vivencia um modelo competitivo com o homem, perdendo sua feminilidade, vestindo ternos, cortando cabelos e se dedicando de corpo e alma ao seu trabalho profissional como busca de uma nova identidade.

Esse movimento criou a nova mulher?

Na visão Junguiana, o ser humano possui as duas polaridades masculino e feminino, sendo dominante uma delas que corresponde ao seu sexo. Cada um tem que integrar o oposto em si mesmo no sentido de busca de equilíbrio numa visão holística, de inteireza. Penso que essa teoria é contemporânea e pode nos auxiliar nessa busca de igualdade de direitos e diferenciações naturais.

A mulher moderna que está integrando seu animus ou sua masculinidade interior, não precisa competir com os homens nem adotar qualidades masculinas para se expressar, isto é, identificar-se com o modelo masculino. Ela reconhece a presença de qualidades masculinas dentro dela, assume sua própria autoridade e mantém-se fiel à sua natureza feminina. Ela não pode ser capaz de mudar o sistema patriarcal em volta dela, mas o que é mais importante, ela não permite que o sistema a modifique.

A Psicologia Analítica, Humanista, de C. G. Jung, parte do princípio que só podemos nos desenvolver plenamente, quando integramos nossa individualidade e nossa capacidade de nos relacionar. Esse processo é chamado de “Individuação” que é uma busca de desenvolvimento da consciência através do autoconhecimento e de outros métodos libertários que cada um escolhe para expressar sua singularidade ou criatividade.

O homem precisa integrar o seu feminino interior, arquétipo da anima que se encontra no seu inconsciente ou subjetividade; e a mulher, o seu masculino interior, animus. Quando cada ser humano empreende essa busca, o relacionamento com o outro sexo se torna mais harmonioso, já que não precisa projetar no outro a sua própria alma.

O outro serve de espelho para que essa tarefa grandiosa possa ser realizada pelo casal, exigindo muito amor, paciência, compaixão, virtudes que vão sendo adquiridas à medida que a personalidade amadurece e a capacidade de amar evolui.

Essa teoria psicológica que inclui o inconsciente pessoal, repositório de nossos conteúdos reprimidos, os complexos, e o inconsciente coletivo, os arquétipos, nossa herança universal, nos convida ao autoconhecimento, a entrarmos em nosso inconsciente para pescarmos as pérolas de uma compreensão maior de nossa integridade e criar um relacionamento saudável consigo, com o outro e com a sociedade.

Eric Fromm, psicanalista, em seu livro “A Arte de Amar”, coloca o amor como uma Arte que exige concentração, cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento sobre si mesmo que se revela para o outro.

Na filosofia de Platão, da Grécia Antiga, conta o mito do androginato, através do discurso de Aristófanes, no Banquete: “No início da criação, os seres humanos eram inteiros, perfeitos e redondos. Em represália à insolência desses seres, Zeus, o líder dos deuses, cortou-os ao meio. E assim iniciou essa procura ansiosa de sua antiga metade, pela humanidade.”

“O amor é uma espécie de loucura, disse Platão, uma loucura divina!”

“Quando arrebatado de amor, um ser humano olha a pessoa que ama, é sua própria imagem que ele vê nos olhos de seu amado (a).”

Podemos transpor essa idéia antiga para nossa época, na teoria de espelhos, onde vemos no outro nossa própria alma e nos apaixonamos. Quando a paixão acaba, é o momento da desilusão, de separação ou possibilidade de transformar esse relacionamento em diferentes formas de amar.

Existem muitas possibilidades de amor:

O amor Pornéia refere-se ao amor do bebê por sua mãe – “ele a come”. Ele gosta do seu leite, do seu calor, do objeto materno.

Esse tipo de amor também ocorre no ser humano, “um bebezão que devora”, um exemplo de amor que não evoluiu. Um amor que não parou de mamar, de consumir o mundo, os outros, o corpo.

Nesse estágio, trata-se de um instinto de sobrevivência, uma pulsão, um apetite vivenciado como uma necessidade de alimentar-se do outro.

O amor Eros é que vai dar asas à Pornéia, aquele que vai introduzir inteligência na pulsão. Eros é a atração e o desejo de se unir ao corpo, de fusão. O amor torna-se inteligente, e pode transformar as pulsões, desejos instintivos, emoções fortes em sentimentos belos. O ser humano ganha asas.

O amor Philia é o amor amizade. Trata-se de um amor de intercâmbio, do compartilhar, da troca do dar e receber. A amizade não é da ordem da utilidade, supõe uma atitude de acolhimento, um amor fraterno.

O amor Ágape é o amor gratuito, que não se espera nada do outro, é altruísta. É o amor divino. “Quem ama é o ser divino presente em nós”. É o eu que se abre para o self. Abrimo-nos para aquele que ama em nós. É o divino que encontra o divino no outro. O Ágape implica uma vontade de amor, da fonte divina.

Um exemplo desse amor é ressaltado no Cântico dos Cânticos, hino bíblico onde Salomão e Sulamita se enlaçam conciliando o desejo mais carnal e a transcendência mais sublime. É colocado em versículos através de versos poéticos.

Jean Yves Leloup em seu livro “Uma Arte de Amar para nossos Tempos” sugere a indagação: “É preciso encontrar um belo objeto para amar ou é preciso reencontrar a capacidade de amar em todas as circunstâncias?

Rainer Maria Rilke, em “Cartas a um Jovem Poeta”, dizia que as pessoas jovens, iniciantes em tudo, ainda não podem amar: precisam aprender o amor com todo o seu ser e o tempo de aprendizado é sempre um longo período de exclusão, de modo que o amor é por muito tempo, ao longo da vida, solidão, isolamento intenso e profundo para quem ama."

“Amar outro ser humano é talvez a tarefa mais difícil que a nós foi confiada, a tarefa definitiva. A prova e o teste finais; a obra para a qual todas as outras não passam de mera preparação.”

Na visão platônica, a essência consiste em inspirar nos homens o desejo de possuir o que é belo e o que é bom, não apenas momentaneamente, mas para sempre.

A fonte do pensamento de Platão é o filósofo Sócrates, pai do autoconhecimento, anunciador da máxima “Conhece-te a ti mesmo”.

Creio que essas metamorfoses que todos estamos passando, com aceleração no início do século XXI, de busca de uma nova identidade, têm como base o processo de individuação que é a busca de você se tornar aquilo que você é em essência e ser uma pessoa criativa, realizando sua singularidade.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor possessivo, dominador, pelo amor de troca, de comunhão ou aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.

Quanto mais o indivíduo for responsável por suas escolhas pessoais, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Todas as pessoas deveriam experimentar sua solidão para vivenciarem um diálogo interno ou subjetivo com seu centro ou essência e descobrir sua força e poder pessoal, que só podem ser encontrados dentro dele mesmo, e não a partir do outro.

O amor de duas pessoas inteiras é a busca do relacionamento saudável no século XXI.

Referências Bibliográficas:
C.G. Jung – Memórias Sonhos Reflexões
C.G. Jung – O Homem e Seus Símbolos
Platão - O Banquete, Tradução do Prof. J. Cavalcante de Souza
Simone de Beauvoir – O Segundo Sexo, Uma Experiência Vivida
Eric Fromm – A Arte de Amar
Thomas Moore – Cuide de Sua Alma
Thomas Moore – O Que São Almas Gêmeas
Jean Yves Leloup – Uma Arte de Amar para os nossos Tempos
Jean Yves Leloup – Amar apesar de Tudo
Jean Yves Leloup – O Essencial no Amor
Rainer Maria Rilke – Cartas a um Jovem Poeta

Indicação de filmes:
Vicky Cristina Barcelona – Direção: Woody Allen (2008)
As Pontes de Madison – Direção: Clint Eastwood (1995)
E o Vento Levou – Direção: Victor Fleming (1939)
Assédio – Direção: Bernardo Bertolucci (1998)
O Amante – Direção: Jean-Jacques Annaud (1992)
Asas do Desejo - Direção Wim Wenders (1987)

Verusa Silveira
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana
Coordenadora do Núcleo de Estudos Junguianos – Bahia (1988)

domingo, 11 de abril de 2010

Cinema no Consultório

AVATAR


Dia: 24 de abril (sábado) - Hora: 14 às 18h
Investimento: R$ 20,00  
Tel: 3271-3640 . 9201-0250 . 9972-4889


terça-feira, 23 de março de 2010

A Importância do Sonhar

A entrada dos sonhos para o campo da ciência foi um acontecimento decisivo; uma abertura de novos caminhos, sendo pioneiro o Dr. Freud com o seu livro: “A Interpretação dos Sonhos”, em 1900. Daí em diante, ficou demonstrado que a vida psíquica do homem não se passa apenas no plano consciente. Existe um outro nível, o inconsciente, no qual os sonhos são manifestações dessa linguagem.

Na perspectiva Junguiana, ampliamos essa linguagem do inconsciente pessoal ao inconsciente coletivo como representação da história universal da humanidade.

Estudar os sonhos é tarefa importante para aquele que quer se conhecer e fazer desse conhecimento a base para o desenvolvimento de sua personalidade, que é chamado processo de individuação.

A arte da interpretação dos sonhos é chamada Hermenêutica, derivada do Deus grego Hermes, mensageiro da vontade dos deuses.

Na Antiguidade, nos templos da Grécia, os sonhos eram utilizados para curar doenças e o grande médico que curava almas era Asclépio, Esculápio para os latinos, um herói-deus, mito antigo que viveu no século XIII A.C.

No mundo contemporâneo, sec. XXI utilizamos os sonhos em consultórios de medicina e psicologia, na psicoterapia, com o mesmo objetivo de cura ou transformação de almas.

Na visão Junguiana, o Sonho é fenômeno natural que provêm da mesma fonte que uma árvore ou um animal selvagem. Eles possuem uma inteligência superior, uma sabedoria e uma perspicácia que nos orientam. Eles nos mostram em que aspectos estamos enganados e nos alertam a respeito de perigos, predizem eventos futuros, aludem ao sentido mais profundo da nossa vida e nos proporcionam insights reveladores.

Os sonhos são mensagens do Self, arquétipo que simboliza o centro mais profundo de nossa consciência, unificador da psique total, consciente e inconsciente. Simbolicamente, ele é expresso em toda a história da humanidade como divindade interior, ou a imagem de Deus.

A maturidade e desenvolvimento de um ser humano exigem um confronto entre o ego, centro da personalidade consciente e o self. Essa dinâmica é vivenciada na análise de sonhos.

A função geral dos sonhos é tentar restabelecer a balança psicológica produzindo um material que complementa a nossa vida consciente.

Um sonho não poderá ser corretamente interpretado sem que seja conhecida a situação consciente do sonhador, daí a importância de se trabalhar a história pessoal num contexto terapêutico.

A interpretação de um sonho exige todos os aspectos do ser humano; da observação das suas sensações físicas, emoções e sentimentos ao uso da razão lógica e da intuição, para compreendê-lo.

O método utilizado para as narrativas dos sonhos compreende a exposição, que é a observação do cenário com seus personagens, a peripécia ou desenrolar da história e a lysis como solução final.

É uma pesquisa que envolve a imaginação criadora, pois os sonhos serviram de inspiração para escritores através de seus devaneios poéticos; nas artes plásticas, no cinema, teatro e artes em geral.

Gaston Bachelard, escritor e filósofo francês, defende o direito de sonhar de todos os seres humanos como capacidade imaginativa de restabelecer a saúde psíquica. Ele pesquisou em sua obra a relação dos quatro elementos da natureza: Terra. Água, Ar e Fogo, com as propriedades dos materiais, traduzindo de forma poética a relação com o ser humano.

Dr. Jung criou os conceitos da Psicologia Analítica ou Profunda, a partir da experiência com seus sonhos e de seus clientes, elaborando toda sua vida e obra.

Uma das coisas que considero mais importantes na vida onírica é escrever e compartilhar os sonhos, pois a partir dessa interação, nos abrimos para esse campo imaginário, oculto, inexplorado de nossas profundezas; é sempre um mistério a ser desvendado e merece respeito e humildade, observar o que está além do consciente como conteúdo natural de nosso psiquismo.

Podemos ser criativos e dar títulos às nossas histórias que vivenciamos ao dormir. Utilizar também a expressão artística de nossas imagens simbólicas através do desenho, pintura, modelagem, canto, música, dança ou expressão corporal e a dramatização como representação deste conteúdo.

Muitas descobertas científicas e criativas surgiram a partir de sonhos e estão descritas na história da humanidade.

Dr. Jung criou o mapa da estrutura e dinâmica arquetípica da Psicologia Analítica através de vários sonhos, que estão descritos em sua obra.

Recomendamos leituras:

C. G. Jung – Memórias, Sonhos, Reflexões.
C. G. Jung e Analistas – O Homem e Seus Símbolos.
Marie-Louise Von Franz em conversa com Fraser Boa - O caminho dos Sonhos.
Robert Johnson - A chave do reino interior.
Gaston Bachelard - O direito de Sonhar.

No cinema, recomendamos o filme de Akira Kurosawa - Sonhos.
De Wim Wenders - Asas do Desejo.

Nas Artes Plásticas, as pinturas de Salvador Dali, Marc Chagall, Monet, Van Gogh.

Verusa Silveira
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana

sexta-feira, 19 de março de 2010

Bate-Papo: A Importância dos Sonhos na Prática da Psicoterapia

Esse Bate-Papo é introdutório ao Grupo Terapêutico que estamos formando. Pedimos que confirme a sua presença, pois temos vagas limitadas.

Dia: 30 de março (terça-feira)  -  Hora: 19:30h  - 
Local: Rua Ewerton Visco, 324, Ed. Holding Empresarial, sala 1107. (atrás do Shopping Sumaré)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Grupo Terapêutico de Análise e Interpretação de Sonhos

Caros Amigos e Colegas,

Estamos reiniciando nosso trabalho de pesquisa clínica com análise de sonhos e pedimos que repassem a divulgação. Confiram as informações a seguir.
Muito grata pela colaboração.
Abraços,
Verusa

Proposta: Compartilhar as narrativas e vivências dos sonhos, associadas às suas histórias pessoais, com objetivo de ressignificar sua trajetória de vida.

Metodologia: Técnicas de relaxamento, dinâmicas de grupo, uso da imaginação e expressão criativa.

Coordenação: Dra. Verusa  Silveira
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana. Pesquisadora clínica de análise de sonhos. Criadora do Núcleo de Estudos Junguianos – Centro Educacional e Terapêutico, fundado em 1988. Membro do Colégio Internacional dos Terapeutas (CIT/ UNIPAZ). CRM: 3006.

O grupo acontecerá todas as quintas-feiras, das 19 às 21h.

Início: 15 de abril de 2010.

Local: Rua Ewerton Visco,324, Edf. Holding Empresarial, sl. 1107, Caminho das Árvores. (atrás do shopping Sumaré).
Inscrições e Informações: (71) 3271- 3640 e 9201-0250.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Jung e as Festas Populares da Bahia

Um babalaô me contou
Antigamente os orixás eram homens.
Homens que se tornaram orixás por causa de seus poderes
Homens que se tornaram orixás por causa de sua sabedoria
Eles eram respeitados por causa da sua força.
Eles eram venerados por causa de suas virtudes.
Nós adoramos sua memória e os atos feitos que realizaram.
Foi assim que estes homens tornaram-se orixás.
Os homens eram numerosos sobre a Terra.
Antigamente, como hoje,
Muitos deles não eram valentes nem sábios.
A memória destes não se perpetuou.
Eles foram completamente esquecidos;
Não se tornaram orixás.
Em cada vila, um culto se estabeleceu.
Sobre a mudança de um ancestral de prestígio
E lendas foram transmitidas de geração em geração,
Para oferecer-lhe homenagens.”

A Psicologia Junguiana é fundamentada nos arquétipos, imagens psíquicas primordiais, originais, conteúdos do inconsciente coletivo, comum a toda humanidade. A descoberta dos arquétipos restitui o ser humano à sua interioridade e aos seus mistérios através da sua relação com os deuses.

Os orixás são representados pelos quatro elementos da natureza: Terra, Água, Ar e Fogo. Cada um desses elementos corresponde às quatro funções de orientação da consciência do ser humano: Físico, Emocional , Mental e Espiritual.

Com esse espírito de pesquisa arquetípica e ‘antenado’ nas tradições da Bahia, o Núcleo de Estudos Junguianos abre esse espaço para o ciclo de festas populares, que se inicia em 4 de dezembro, com a deusa dos ventos, raios e tempestades, Oiá-Yansã, no Candomblé; e Santa Bárbara na Igreja Católica.

Toda a fé do baiano se manifesta desde as comemorações dos orixás do candomblé, quando todos os terreiros da cidade batem seus tambores para seus filhos-de-santo dançarem, até as festas da religião católica, que ganham um cunho de celebração com muito samba-de-roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas de azeite de dendê, caruru, vatapá, entre outras.

Esse clima de festas tem seu ápice na Lavagem do Bonfim, terminando no Carnaval.


“Epa Hey Oiá”, Yansã

Oiá foi mulher de Ogum e trocou-o por Xangô, mas sem romper totalmente os laços com Ogum. É representada como uma rainha guerreira, com uma espada em punho. Muito corajosa, é o único orixá capaz de enfrentar os eguns, espíritos dos mortos.

A nível Junguiano, ela representa o lado ativo do feminino, o “animus”, o princípio masculino no interior da psique feminina. Este arquétipo tem características de impulso criativo, empreendedor, objetividade, determinação, um grande senso de dever e forte convicção.

Características: temperamento forte, passional e autoritário. Uma de suas características mais marcantes é a sensualidade, voluptuosidade.
Cores: vermelho e branco.
Oferendas: acarajé e abará.
Saudação: “Epa Hey Oiá”.
Simbolismo: Espada, Chicote.
Dia da semana: quarta-feira, também dia de xangô, o deus dos trovões.

Calendário Oficial das Festas Populares:

04 de dezembro - Santa Bárbara / Iansã
08 de dezembro – N. Sra. da Conceição – Padroeira da cidade de Salvador
13 de dezembro – Santa Luzia
01 de janeiro – Procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes
06 de janeiro – Festa da Lapinha ou Festa dos Reis
Segunda quinta-feira de janeiro – Lavagem do Bonfim
24 de janeiro a 2 de fevereiro – Nossa Senhora da Purificação
30 de janeiro – São Lázaro
02 de fevereiro – Iemanjá
11 a 16 de fevereiro - Carnaval 2010

* O Núcleo de Estudos Junguianos - Bahia realizou Seminários com os arquétipos dos Orixás afro-brasileiros criando correspondências com a Teoria da Psicologia Junguiana.

Coordenação:
Dra. Verusa Silveira 
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana/ Coordenadora do Núcleo

Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera

Diretor sul-coreano: Ki-duk-Kim
O filme trata do processo iniciático de um garoto conduzido por um velho mestre zen budista. Na Psicologia Junguiana, chamaríamos de Processo de Individuação, isto é, de autodesenvolvimento da personalidade, que inicia no nascimento e se desenvolve em ciclos e fases, até a morte.
Utilizando o paralelo entre as etapas da vida do ser humano e as estações do ano, o filme estabelece uma relação simbólica entre as duas.
                                                                                     
Escolhemos esse poema do mestre Taoísta chinês Liu Pai Lin para sintetizar essa história.

A Terra segue o Céu
acompanha seu fluxo de Energia.
Por isso,
na Primavera, pode brotar,
no Verão, florescer,
no Outono, frutificar,
no Inverno, a Natureza se recolhe,
podendo iniciar
uma nova Primavera
e assim se renovar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cinema no Consultório, última sessão do ano!

Primavera, Verão, Outono, Inverno...
                                           e Primavera


Dia: 26 de novembro (quinta-feira) - Hora: 19h
Investimento: R$ 15,00 
Tel: 71 3271-3640/ 9201-0250/ 9972-4889

Assista o trailler!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

NOVO !

Grupo Terapêutico de Análise e Interpretação de Sonhos




O Núcleo de Estudos Junguianos Bahia realiza o Grupo Terapêutico de Análise e Interpretação de Sonhos que irá trabalhar as histórias das pessoas junto às narrativas e vivências dos sonhos, criando uma ponte entre consciente e inconsciente.

Objetivo: Fortalecer a psique ou alma e resignificação da trajetória de vida, através de técnicas de relaxamento, uso da imaginação e da criatividade, dinâmicas de grupo e expressão artística.

Coordenação: Verusa Silveira
Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana. Formação em Psicologia Humanista e Transpessoal. Curso de Especialização em Psicologia Analítica Junguiana e Técnicas de Relaxamento. Criadora do Núcleo de Estudos Junguianos Bahia. CRM: 3006.

Quando: quintas-feiras, das 19 às 21h. Onde: sede do Núcleo de Estudos Junguianos.
Início: 01 de outubro de 2009.

Mais informações através dos telefones: (71) 3271- 3640 e 9201-0250.
Haverá uma seleção com entrevistas prévias. As vagas são limitadas.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Cinema no Consultório

O fabuloso destino de

Amélie Poulain 



Data: 25 de setembro de 2009 (sexta-feira)    Hora: 19h
Telefones: (71) 3271-3640/ 9201-0250/ 9972-4889